Sou um pouco daqui e dali,
Capaz de me integrar facilmente em qualquer lado
Sei várias línguas, várias culturas,
Como se por todo o mundo já tivesse viajado.
Sou vários povos e nenhum deles,
Aqui dentro,
foi tornado oficial.
Pergunta-lhes a eles e a mim própria
O que pensam de mim? Uma característica minha, especial…
Ninguém (nem eu) sabe bem o que dizer,
Sou demasiado paradoxal.
Para uns amável, dócil, carinhosa,
Para outros meio fria, fechada, indiferente,
Alguns acham-me agressiva, doida, conflituosa,
Há quem fale numa mistura incoerente e fervente.
Recorro então, para me explicar, à astrologia,
Aquário com ascendente e lua em Sagitário,
Ar e fogo, elementos opostos dançando em boémia e euforia,
Rimando um com o outro, sob o nome grego de Sofia.
Meu pai fogo, minha mãe ar, foi a esta luta intensa que sobrevivi
Mas em mim estes dois polos podem complementar-se, aprendi.
Eu ar, minha irmã fogo, meus pais fogo e ar, eu ar e fogo, tudo aqui
Num conflito eterno de inimigos que se amam: foi este o berço em que nasci.
Esta profunda crise de identidade:
Minha alma não corresponde à minha idade
Ter de todas as coisas um pouco, uma metade,
E depois vem esta angústia enorme que me invade
que dá cabo de mim, contra e por minha vontade.